A importância da visita ao médico oftalmologista
A forma de apresentação mais frequente da doença glaucomatosa é o glaucoma primário de ângulo aberto. É uma neuropatia óptica progressiva que, as mais das vezes, cursa com tensões oculares elevadas, embora haja um número significativo de casos, cerca de 1/3, em que a pressão intra-ocular se encontra dentro dos valores considerados estatisticamente normais. Contudo, a pressão intra-ocular elevada constitui o factor de risco mais relevante para o aparecimento e progressão desta doença e a sua redução é ainda o método mais eficaz para o seu tratamento. Tem uma enorme prevalência a nível mundial, sendo uma das principais causas de cegueira mesmo nos países desenvolvidos e a segunda causa de cegueira bilateral irreversível.
A maior parte dos casos aparece após os 40 anos de idade e a sua incidência vai aumentando de forma progressiva com o avanço da idade. A sua prevalência em Portugal é semelhante à dos países europeus, estimando-se que 1 a 4% dos indivíduos de raça branca com mais de 40 anos e 7 a 9% de raça negra venham a ser afectados por esta doença. A gravidade da progressão desta doença é também significativamente superior nestes últimos.
Consequências da Glaucoma
Esta neuropatia óptica progressiva leva a uma perda das fibras nervosas constituintes do nervo óptico. São estas fibras nervosas que conduzem a informação visual desde o olho até ao cérebro. Como o tecido nervoso não se regenera tudo que for perdido é-o de forma definitiva. Ou, dito de outra maneira, se um doente cegar por Glaucoma não temos qualquer forma de lhe restituir a visão.
Pelo que foi dito se compreende da necessidade de um diagnóstico precoce, que não se resume a uma avaliação da pressão intra-ocular, mas antes na observação atenta por um médico oftalmologista. E como é impossível rastrear toda uma população por total impossibilidade de recursos humanos e financeiros para o fazer, recomendamos um exame oftalmológico periódico aos familiares directos dos doentes que sofrem de Glaucoma bem como a todos aqueles que com mais de 40 anos de idade começam a ter os primeiros sinais de dificuldade de visão para perto ou presbiopia. A simples procura de uns óculos para visão ao perto com os quais se consegue uma boa visão, na ausência de sintomas oculares, não constitui garantia que o Glaucoma não esteja presente já que a sua evolução tem um carácter insidioso só sendo perceptível pelo paciente em estádios muito avançados da doença que correspondem a uma destruição de mais de 50% do contingente de fibras nervosas do nervo óptico.
Finalmente, a todos aqueles a quem foi identificado a doença, é fundamental o cumprimento rigoroso da medicação instituída pelo seu médico oftalmologista, a quem devem ser pedidos todos os esclarecimentos acerca da doença e a vigilância periódica por ele indicada.
Fonte:Dr.Carlos Aguiar-Jornal do Centro de Saúde




